Irllen Sousa

Tecnologia associada a fonoaudiologia proporciona novas formas de comunicação

28/10/2026 às 11:13:54

A comunicação é um dos direitos fundamentais do cidadão e associada a isso a Comunicação Aumentativa Alternativa (CAA) surge como uma possibilidade de novas formas de se comunicar para pessoas com dificuldades na fala ou na comunicação. Esse é um recurso estudado e aplicado há décadas no Brasil e reconhecido por lei em 2025.

A CAA é um conjunto de ferramentas, estratégias e tecnologia que pode complementar ou substituir a fala oral de diferentes pessoas. O recurso pode ser utilizado por em diversas condições, como por exemplo pessoas com Paralisia Cerebral, TDL ou que sofrem com sequelas de AVC. Porém, o recurso começou a popularizar e ser frequentemente utilizado principalmente por autistas. Segundo o IBGE, o Brasil possui cerca de 2,4 milhões de pessoas com autismo. Uma parcela significativa dessa população apresenta ausência de fala funcional ou fala pouco inteligível, sendo o público que mais impulsiona o uso de CAA atualmente.

A fermenta pode ser de alta complexidade, quando associada ao uso da tecnologia de tablets, celulares ou computadores, ou de baixa complexidade, quando os recursos utilizados são pranchas de comunicação, livros e imagens.

Na Apae Aracaju, o recurso de baixa complexidade é utilizado em alguns casos, porém os recursos que necessitam de alta tecnologia ainda não são ofertados para os usuários devido ao alto custo. Apesar disso, com alinhamento da equipe e interesse da família em arcar com o recurso de forma particular a instituição pode fornecer o apoio e aplicação correta da CAA com acompanhamento do fonoaudiólogo, como é o caso dos gêmeos Caleb e Joaquim.

Após a avaliação da necessidade dos pacientes pela fonoaudióloga Cintia Teles e que as crianças se encaixam no perfil para utilização da tecnologia, o serviço foi apresentado e adquirido pela família. O próximo passo é a preparação dos chamados “parceiros de comunicação”, que são todas as pessoas que interagem no dia a dia com o usuário de CAA e que ajudam a dar sentido, validar e responder às suas formas de expressão.

A mãe dos gêmeos, Larissa Rafaela, familiares e profissionais que fazem parte da rotina deles (da escola e também da APAE), passaram por essa capacitação ministrada pela fono para entender como poderão aplicar o novo protocolo de comunicação no dia a dia das crianças.

“A maior dificuldade que eu tenho com os meninos hoje é a falta de comunicação. Essa dificuldade gera outros comportamentos, justamente porque eles querem se comunicar e não conseguem. Com a CAA eu espero que eles melhorem em várias áreas.”, diz Larissa Rafaela, mãe os usuários.

A capacitação para utilização do novo recurso foi feita também com a equipe multidisciplinar responsável pelo atendimento das crianças na APAE Aracaju. Lucio Magno é psicólogo de um nos meninos e entende que essa mudança também auxiliará no trabalho dele junto as terapias. “A CAA vai favorecer principalmente a diminuição dos comportamentos interferentes. Sabendo que o comportamento nos comunica algo, esse novo modelo irá ampliar o repertório comunicativo e consequentemente diminuindo esses comportamentos interferentes, estimulando habilidades sociais e comunicativas, agregando no trabalho multidisciplinar que esses pacientes recebem.”, explica o psicólogo.

“A comunicação não é só da fono, ela envolve a família, os profissionais que atendem as crianças e a escola.  Reunir todas essas pessoas para falar sobre algo tão importante como a comunicação e o desenvolvimento deles é algo muito gratificante.”, relata a fonoaudióloga.